Apresentação de «L'Histoire du Soldat»

L'Histoire du Soldat, com música de Igor Stravinsky e libretto de Charles Ferdinand Ramuz, encontra-se dividida em duas partes, existindo duas versões da mesma: uma, datada de 1918, que é uma mistura de música, teatro e ballet; e outra, de 1920, que se constitui numa versão de câmara da referida obra, a qual mantém somente alguns dos andamentos da versão original. A estrutura da referida obra, na versão de 1918 para clarinete, fagote, cornetão a pistões, trombone, bateria, violino e contrabaixo, se divide nos seguintes números:

  • Primeira Parte
  1. A marcha do Soldado. Música de marcha
  2. Música para a cena 1
  3. Música para a cena 2
  4. Música para a cena 3
  • Segunda Parte
  1. A marcha do Soldado. Música de Marcha
  2. A marcha Real
  3. O pequeno Concerto
  4. Tango
  5. Valsa
  6. Ragtime
  7. A dança do Diabo
  8. Pequeno Coral
  9. A canção do Diabo
  10. Grande Coral
  11. A marcha triunfal do Diabo

A versão de câmara para clarinete, violino e piano, também designada como Suite da História do Soldado, é constituída somente por cinco andamentos distintos, sendo o quarto andamento uma junção de três dos andamentos da segunda parte da versão inicial desta mesma obra. Assim, a estrutura da versão de câmara é a seguinte:
  1. Marcha do Soldado
  2. O violino do Soldado
  3. Pequeno Concerto
  4. Tango-Valsa-Ragtime
  5. A dança do Diabo

Observando esta estrutura de números em que a obra se divide -- quer na versão original de 1918, quer na versão de câmara de 1920 --, nos deparamos com títulos de secções que indubitavelmente nos fazem apelo a formas clássicas, como é o caso do uso de termos como Concerto, Tango, Valsa, Coral, etc.. Contudo, ouvindo a respectiva música destas mesmas secções, e apesar de sentirmos algo de familiar ao nível genérico das formas musicais usadas, percebemos que as mesmas nos surgem revestidas de novos elementos musicais ao nível da linguagem utilizada: uso de motivos rítmicos do tipo ostinato, harmonia de carácter politonal e polifuncional, entre outros. É esta duplicidade de carácter, entre elementos clássicos e contemporâneos, que define o carácter neo-clássico desta obra.