
Sobressaem, imediatamente, alguns aspectos relevantes no trecho acima transcrito:
- A música está em grande parte escrita sobre um ostinato em tempo de marcha, o qual é quase omnipresente ao longo de todo o trecho;
- A harmonia, fazendo vagamente lembrar uma construção tonal em Sol maior, faz apelo à sobreposição de funções harmónicas distintas, ou mesmo, em alguns momentos, à sobreposição de tonalidades distintas;
- Existe um pensamento rítmico muito forte, com o uso de polirritmias, quer sobrepostas, quer justapostas. Isto é visível, entre outros aspectos, nas alternâncias de compasso efectuadas entre 2/4 (tempo de marcha), 3/4 e 3/8;
- Como é comum em Stravinsky, a música encontra-se em grande parte construída por meio da justaposição de temas rítmico-melódicos.
Numa análise harmónica mais detalhada, é possível, entre o terceiro e quarto compassos do trecho acima transcrito, observar algo que nos faz lembrar uma cadência perfeita: IIb - Va - Ia. Contudo, estes acordes têm sempre notas estranhas àquelas que esperaríamos num contexto tonal do Século XVIII: a função de IIb tem a sua fundamental abaixada (Lá b); na função de Va existe a substituição da sua fundamental Ré por Mi; e na função Ia, Stravinsky usa o Mi em vez da quinta esperada, Ré. É através deste conjunto de substituições que Stravinsky consegue construir, ao mesmo tempo, uma harmonia familiar que nos soa estranha.
Tendo por base este mesmo trecho, procure estender esta perspectiva analítica a todo este, identificando, entre outras coisas, os temas rítmico-melódicos que surgem ao logo do mesmo, bem como as principais funções harmónicas e centros tonais que podem ser aí observados.
Tendo por base este mesmo trecho, procure estender esta perspectiva analítica a todo este, identificando, entre outras coisas, os temas rítmico-melódicos que surgem ao logo do mesmo, bem como as principais funções harmónicas e centros tonais que podem ser aí observados.
